quarta-feira, 22 de maio de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Parintinenses de herança nordestina
De acordo com o que se
ouve falar a respeito dos arigós, pessoas nordestinas que migraram para
Parintins em busca de melhorias de vida, pôde-se notar que muitos dos aspectos
abordados em comentários a respeito deste grupo social são verdadeiros.
Édrika Gonçalves de
Vasconcelos é nascida e criada na cidade de Parintins, tem 24 anos e é filha de
Iran Vasconcelos, natural de Sobral/CE e Sirley Gonçalves, também nascida em
Parintins/AM. A jovem conta que seu pai é um arigó da gema e carrega consigo
muitas características nordestinas.
Um dos principais
costumes de seu pai é o tom de voz e o sotaque um tanto agressivo. “O papai
fala muito alto. Ele tá conversando com você tranquilamente, mas por causa do
tom e do modo de falar dele, tem gente que acha que tá tendo uma guerra mundial,
não tem como saber se ele tá bravo ou não, pois o tom de voz é sempre o mesmo”,
destaca a jovem Édrika.
Com isso, a jovem
relata que esse costume do tom de voz alto e da maneira agressiva na fala,
acabou passando para ela e para suas irmãs, pois elas falam do mesmo modo que o
pai.
O arigó também é
conhecido como uma pessoa cuidadosa, controladora e vigilante. Um dos principais fatores que mostram essas
características é quando um filho de arigó inicia um relacionamento amoroso.
Quando perguntada se o senhor Iran se encaixa nesse contexto, Édrika confirma:
“Demais. Quando comecei a namorar a maior dificuldade foi contar para o papai,
tive que contar com a ajuda da minha mãe para ir ajeitando a situação para
podermos contar para papai”.
Contudo, Édrika diz que
tem uma filha de três anos e que não será assim com ela, pois não concorda com
este tipo de comportamento. Ela relata que “Cada criação é uma criação. Não é
por que meu pai me criou assim, que vou criar minha filha Aninha assim, até por
que este tipo de atitude não é legal para mim. Ele me fez muitas vergonhas quando
eu estava com meu namorado”, admite, quando fala que namorava em frente de casa,
com sua mãe vigiando e até 22h, no máximo.
Quanto à culinária
nordestina, a jovem conta que em sua casa todos comem bastante a comida típica
do nordeste e que apesar de seus pais estarem separados e ela conviver hoje mais
com a mãe, ainda assim não deixam esse costume adquirido quando seus pais eram
casados. “Meu pai adora e nós acabamos adquirindo este costume também. Comemos
feijão todos os dias e quando a vovó manda de Sobral a rapadura e uns docinhos
de lá, ele divide a encomenda, fica com um pouco e deixa em casa uma porção pra
nós também”.
Apesar do pai nunca ter
sido muito religioso, Édrika conta que ele é bastante exigente. Ele mandava as
filhas irem à igreja, controlava os horários e as companhias que elas iam e sempre
foi bem restrito e antiquado.
Uma das principais características
dos arigós e mais comentadas no meio social é que este grupo é muito
trabalhador, esforçado e organizado. Édrika confirma este estereótipo dizendo
que: “Papai sempre foi muito trabalhador. Ele trabalhava de domingo a domingo,
sem feriado ou férias. Durante o dia ele trabalhava como vendedor ambulante na
feira e a noite ele trabalhava como vigia”, destaca.
A jovem diz que este é
um dos costumes de seu pai que mais a marcou e fala que faz questão de também adquirir este hábito. Conta que desde adolescente ela ajudava o pai: “Nós vendíamos verduras
na feira e eu tomava conta da banca pela manhã, pois como ele trabalhava a
noite como vigia eu queria ajuda-lo, por que a tarde eu estudava”, diz.
Édrika finaliza dizendo
que sente muito orgulho de sua criação, e que apesar de não concordar com
alguns costumes da cultura nordestina, procura abordar e continuar tendo
atitudes como as de seu pai, porém agirá apenas de acordo com as atitudes que achar
adequada e coerente. “Sinto orgulho de o meu pai ser arigó. Ele sempre será
conhecido como um homem trabalhador e batalhador”, finaliza a jovem.
Parintinense
de sangue nordestino
Cristina de Sousa
Andrade é filha de Raimundo Falcão Andrade e Neuza de Souza Serrado. Ela conta
que seus pais são de origem nordestina pura. Seu Raimundo é natural de Sobral e
a mãe é do Maranhão. Cristina nasceu em Parintins, tem 29 anos e se considera
uma parintinense verdadeira, mas que respeita muito as origens e costumes que
ainda prevalece no cotidiano da família.
Em relação aos costumes
ela conta que foge um pouco de sua rotina, pois já esta adaptada à cultura
parintinense e que se sente a vontade no ambiente em que está situada. Segundo a
jovem, as características nordestinas de seus pais ainda são muito fortes. “Minha
mãe é uma pessoa do tipo muito espoletada, o tom de voz é forte, a maneira como
ela se comunica é tipicamente nordestina. É também uma mãe muita carismática, às
vezes um pouco rígida”, conta.
Uma das características
comuns dos nordestinos é a rigidez com relação aos comportamentos dos filhos. “Na
época de minha adolescência, minha mãe principalmente, me prendia muito em casa.
Minhas atividades de aula eu fazia sozinha, às vezes meus colegas tinham que se
deslocar até minha residência, pois eu não podia sair porque na época minha
liberdade era muito rara”.
Muitos nordestinos
migraram para a Amazônia com objetivo de melhores condições de vida. Durante esse
caminho muitos conseguiram se desenvolver, principalmente no ramo do comércio. Alguns
não conseguiram muito sucesso, mas exercem outras atividades. Questionada sobre
a situação da família, Cristina revela que o pai antes de chegar a Parintins,
viveu dois anos em Santarém/PA e que durante esse período trabalhou como
transportador de mercadorias num caminhão que comprou na época em que chegou àquela
cidade.
Tempos depois, a
convite de um amigo, migrou para Parintins e com o pouco de dinheiro que tinha
comprou um terreno no bairro Itaguatinga, onde vivem ate hoje. Seu Raimundo
conta que: “na época até que tentei levar a vida de comerciante, mas não tive
muito sucesso”. Atualmente presta serviço com seu caminhão para a empresa
Cerâmica Moderna de Parintins (Cemopar).
Apesar da rigidez dos
pais, Cristina se sente orgulhosa de ser a filha única do casal. Segundo a moça,
no tempo que ficava em casa o dever era estudar e nada mais. “Atualmente sou
formada em Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA)
e professora na escola Estadual Brandão de Amorim. Hoje tenho uma filha de três
anos e já me sinto uma mulher realizada”, ressalta.
Cristina conclui
dizendo: “minha família não é rica, apenas trabalha e isso sempre prevaleceu,
pois meu pai é um exemplo de um homem batalhador e eu me espelhei nele. Tenho
muito orgulho de fazer parte de uma família nordestina e ser descendente desse
grupo. Enfim, sou feliz. Mas repito em dizer: considero-me uma parintinense e
amo essa cidade”!
As gerações de avó para
pai e filho
Isaias Alves de Freitas
de 50 anos é microempresário, nordestino e fugiu da seca e das dificuldades do
sertão. “Quando eu vim para Parintins sem conhecer, estava com problemas
financeiros, através de um amigo que trabalha do ramo de venda, ele me
proporcionou a minha vinda para Parintins, passei a gostar e morar aqui, é aqui que tive e tirei o
sustento dos meus dois filhos”, relata.
Em Parintins nasceram e
foram criados os dois filhos, porém mantendo a tradição nordestina. “Parintins
me proporcionou criar meus filhos, hoje trabalho na igreja Assembleia de Deus
missionária, sou pastor há dez anos comerciado pela conversão, tenho outros
trabalhos fora daqui como, terra santa e, além disso, tenho pessoas que
trabalham pra mim.” Diz ainda que a cultura do nordestino é muito diferente,
mas que com peixe e a farinha do amazonas ele sobrevive e que sempre quando tem
a oportunidade de visitar sua terra de origem, vai.
“Criei meus dois filhos
assim me espelhando como meus pais me criaram, só que as coisas mudam e
favorecem o pai de família, então o costume de criação que meus pais me deram,
procurei passar para meus filhos que nasceram em Parintins, pois, aqui é bem
diferente, mas posso dizer que por mais que meus filhos não terem nascido no
nordeste, eles sempre vão ter traços porque ser nordestino está no sangue, eles
têm um conhecimento muito bom do nosso povo” afirma Isaias.
Um dos filhos de
Isaias, Adriano Alves de Freitas de 23 anos, atualmente cursa Serviço Social na
Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “Considero-me parintinense. Nascer em
Parintins têm seus privilégios, tive oportunidade de estudar, mas estranhei um
pouco a educação dos meus pais, que tiveram que se adequar a cultura
parintinense. Meus pais tiveram uma forma diferente, sempre essa preocupação de
educar nos filhos a mesma educação que lhes foi dada. Posso dizer que Parintins
cooperou muito pra mim”, afirma o rapaz.
Apesar de toda educação
aos moldes nordestinos o jovem parintinense tem sua raiz aqui, mas não descarta
a influência nordestina. “Gosto de Parintins. Pretendo trabalhar aqui, ter uma
família, tenho orgulho de ser nordestino, não sofro qualquer tipo de
preconceito. Tenho minhas raízes nordestinas, mas nascer em Parintins e motivo
de orgulho, porque foi aqui que eu conquistei muitas coisas, hoje tenho muitos
amigos. Participo da igreja no ministério de louvor, onde meu pai é pastor há
10 anos, minha Irmã que também nasceu aqui hoje é formada pela UEA em Biologia”,
confirma Adriano.
A criação que Adriano
teve continuará a ser passada, assim como a influência e a cultura nordestina também
continuarão na descendência da família Freitas. “Tento deixar vivas nossas
raízes, meu pai me ensinou a manter fortes nossos costumes, não tive
oportunidade de conhecer a terra que meus pais eram, espero um dia poder
conhecer. Mostrar para minha filha onde os avós dela moravam, falar da historia
dos meus pais pra ela vai ser encantador”, finaliza Adriano.
Em busca de alternativas
Antônio Batista e a
esposa Maria de Fatima Xavier vieram de Maçapé/CE,
uma cidade de interior próxima à Sobral. Segundo o que relata Antônio Batista,
para eles decidirem vir para Parintins, foi por Sobral estar numa época de
escassez, muito seca e sem chuvas. Com isso apareciam as dificuldades para
sobreviver e a inexistência de mão de obra aumentava.
Maria Deusimar, uma das
filhas de Antônio e Maria, saiu de Sobral aos nove meses juntamente com os pais
para Parintins. Com relação às características dos arigós ela sempre
questionou, mas sempre procurou obedecer às ordens de seus pais: “eu sigo, mas
às vezes eu tinha vontade de ir pra algum local e minha mãe não deixava. Eu
sempre tinha que ir acompanhada de algum conhecido, mas eu sempre obedecia”,
conta a jovem.
Diz também que se
chegar a ter uma filha, ela não vai criar exatamente como sua mãe a criou, pois
ela não irá prender seus filhos: “eu e minhas irmãs, sempre achávamos ruim um
pouco, agente tinha vontade de sair e se um dia eu chegar a ter uma filha,
assim como minha irmã também fala, não vai ser como a nosso mãe nos criou, mas
vai ter um pouco do que a ela nos ensinou”, diz Deusimar. A moça relata também
que com relação ao preconceito que alguns dos arigós sofrem, ela jamais teve
preocupação com isso, seus amigos sempre respeitaram a sua origem.
Na
contramão das raízes
Diego Araújo
Vasconcelos, descendente de nordestinos, conta que seus pais ainda preservam
alguns costumes como comer rapadura com feijão na hora do almoço, o que para
ele se torna um “sacrifício”.
Uma das características
dos arigós é o sotaque nordestino, o que notório em Diego que mistura também a
fala alta e o comum chiado parintinense.
Um dos sonhos do jovem arigó é conhecer a terra de seus pais. Ele fala que Parintins proporcionou para seus pais uma condição de vida melhor do que enfrentava em Sobral, “Parintins pra ele abriu muitas portas, não só para ele, mas para toda família e frisa que se não estivesse morando em Parintins estaria na miséria”, garante Diego.
O
arigó parintinense
São muitos perfis e
vários parintinenses filhos de nordestinos. Cada um deles traz consigo algumas
características dos pais. Alguns mostram a vontade de criar os filhos, netos de
arigós, com o modelo nordestino de ser. Alguns respeitam a criação, mas
demonstram certa discordância de como foram criados.
O arigó parintinense é
genuinamente nordestino, mas tem orgulho da cidade que nasceu. É difícil
identifica-lo como alguém do Nordeste ou do Norte, possível seja mais fácil
caracteriza-lo como a mistura de um povo que historicamente já é muito
parecido.
Grupo 2
Grupo 2
OS IMIGRANTES CEARENSES ‘‘DESCONHECIDOS’’ EM PARINTINS
UM BREVE RELATO DA TRAJETÓRIA DOS
CEARENSES
No
Nordeste, 10 milhões de brasileiros passam fome, ligado diretamente a este
número evidente, está à seca. Em 2012 uma das mais severas secas dos últimos
anos agravou este quadro, o governo federal criou uma série de projetos sociais
para auxiliar as famílias que sofrem com a seca. O número de
cearenses em situação de pobreza extrema aumentou de 9,3% para 10,9% entre 2008
e 2009, são cerca de 850 mil pessoas vivendo com uma renda diária menor que R$ 2,03,
segundo a pesquisa realizada e divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) do estado do Ceará.
A partir dessas
problemáticas, os nordestinos migram para outras partes do Brasil. A região
mais habitada para a migração nordestina é o centro- sul do país. Essas
famílias saem de suas cidades, em busca por uma vida financeira melhor.
No
Brasil esse tipo de migração é muito conhecido e comum entre os nordestinos. Os
fatores mais causadores são as dificuldades econômicas acompanhadas das
constantes secas e a prosperidade financeira de outras regiões.
A partir da
superlotação nessa região do centro-sul o processo migratório diminuiu, dando
origem também a ocupações territoriais no Distrito Federal e na Amazônia.
A migração amazônica
começou em 1890 até 1910 com o apoio do Governo Federal, tinha o objetivo de
trazer trabalhadores para os seringais. Os trabalhadores nordestinos, que
vieram na Amazônia em busca de emprego, caíram logo na dependência econômica
dos Seringalistas e se tornaram os "seringueiros nordestinos”. Atualmente,
os Nordestinos que vivem na Amazônia têm outros meios de ganhar a vida. Entre
outros trabalhos o principal era ser comerciante.
Em Parintins os
nordestinos (também conhecidos como arigós) têm sua maior renda e conquistas no
ramo do comércio. Há uma quantidade de migrantes significativa na cidade.
Alguns são conhecidos, por terem um dos principais comércios no município.
Mais nem todos que
saíram de sua cidade em busca de uma vida melhor tiveram essa mesma sorte. Trabalham
em outro ramo, alguns são feirantes, carroceiros, outros continuam com vendas independentes
de utensílios variados pelas ruas, conhecidos como prestamistas. Além disso,
não são tão conhecidos na cidade e “parecem” ter uma história bem menos interessante.
Por isso deve-se mostrar totalmente o contrário, eles passaram pela mesma
dificuldade e ainda buscam o sucesso de estabilidade financeira em Parintins.
Em busca de um futuro melhor em Parintins

As
dificuldades enfrentadas por sua família naquela cidade eram muitas, “a falta
de água principalmente. Meu finado pai levantava todos os dias pela madrugada
para buscar um pote de água. Carregava sobre o ombro, e com aquela água, agente
tomava banho, fazia comida, então foi muito difícil, papai sofria muito”,
relata.
E
foram esses problemas que motivaram o seu pai, a recolher alguns de seus
pertences para ingressar em uma viajem por uma vida melhor nos Seringais
Acreanos. “Nosso plano era passar dois anos no alto seringal do Acre, mais
chegamos em Manaus, e um soldado aconselhou meu pai a não ir, por causa dos
rumores de doenças graves da floresta. Então nós fomos para Maués trabalhar em
uma usina de pau rosa. Ficamos trabalhando quatro anos, depois nós fomos para
uma fazenda no Paraná do Ramos e depois viemos para Parintins. Nos éramos 12
filhos, dois já faleceram”, descreveu
Ecilio.
A
disposição do pai para arrumar trabalho logo o fez arrumar um serviço na
fazenda São Sebastião na Região de Várzea do interior de Parintins, e após nove
anos, com o dinheiro adquirido com a venda de um gado finalmente se
estabeleceram na cidade. Ecilio conseguiu um emprego na prefeitura como
vigilante, onde atuou por quatro anos, até que a eleição de Carlinhos da
Carbrás para prefeito pôs fim a guarda municipal, obrigando Ecilio a conseguir
uma nova fonte de renda.
Em
Parintins, os Cearenses são conhecidos pelo espírito empreendedor para o
comércio, e Ecilio chegou a montar uma pequena mercearia. Mas os negócios não
foram como ele esperava. “Eu montei um pequeno negócio, mas não deu certo e eu me desgostei dessa área”,
revelou ele, que em 1985 começou a atuar
como carroceiro.
Hoje
Ecilio continua trabalhando como carroceiro, e também possui um cargo
comissionado pela Prefeitura de Parintins na Coordenadoria de Esportes do
Município, e promove os jogos do campo dos carroceiros no bairro Paulo Corrêa.
Pai de sete filhos é casado com uma parintinense há 33 anos e revela que não
tem vontade de viver em outro lugar. “Eu não vivo do jeito que eu sonhei viver,
mas não posso reclamar. Aqui em Parintins consegui minha casa, tenho meu
trabalho, minha esposa, meus filhos e netos. Não nos falta saúde, e o mais
importante é que ainda tenho força e disposição para trabalhar”, concluiu ele,
revelando que tem vontade de visitar sua terra natal, mas que não tem vontade
de morar em outro lugar senão em Parintins.

Natural da Coeraú, interior de Fortaleza, o senhor
batalhador nunca recusou trabalho desde sua infância. Como tal, era comerciante
na cidade de onde veio. (Agemiro em seu Box de farinha e outros produtos)
Ao chegar em Santarém
um amigo lhe deu redes para vender com a proposta de quando as vendesse iria
repor o valor. Se apegando a oportunidade, Agemiro já tinha como começar a vida
ali. “O sol nem aparecia ainda e eu já estava de pé, colocava as redes na
costa, e saía com muita esperança” relata.
A vida que teve em
Terra Santa, outro destino traçado por ele, foi rodeada por algumas
experiências inesperadas. Quando não tinha onde dormir, a praça da pequena
cidade era sua única opção. Esteve também em Juruti onde conseguiu uma casa
abandonada para morar, submetendo-se à certos incômodos, pois a casa mal tinha
paredes.
Foi em Parintins que
conheceu sua atual mulher, Maria do Socorro. Agemiro se estabilizou foi então que
seus quatro filhos vieram para morar com o pai. Filhos da união com a
ex-mulher. Conseguiram se manter por um tempo, seus filhos continuaram os estudos.
Parintins foi o próximo
destino da família. Dessa vez as oportunidades chegaram com mais vigor. Sua
primeira ocupação foi com vendas de produtos regionais (trabalho que exerce até
hoje), com isso conseguiu alugar uma casa. Ainda assim, existiam as
dificuldades mais frequentes na família uma delas, era a lavagem da roupa feita
na beira do rio amazonas método usado durante um bom tempo.
Com o passar dos anos
os problemas foram sendo administrados pela família, fazendo com o que hoje
vivessem de forma equilibrada. Seu Agemiro têm todos os seus filhos formados no
segundo grau, o que o deixa com muito orgulho, sempre destaca em sua fala esse
sentimento. “Meus bebezao, já estão tudo formado. Graças a Deus e me sinto
feliz por ter cooperado para isso”. Um dos filhos, Agemiro Filho já está quase
concluindo o ensino superior na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) pelo
curso de Engenharia Física.
Para essa grande
realização, de ver seus filhos se dedicando aos estudos o Pai dedicado
trabalhou duro para que isso ocorresse. Por isso por trabalhar com muita
exposição ao sol, Agemiro conta que já precisou viajar para Fortaleza tratamento
dermatológico. Daí a decisão de nunca mais ter tanta exposição aos raios
solares, nem por trabalho como por outra coisa.
Quando indagado pela
hipótese de voltar para morar em sua cidade natal Coeraú, ele conta que não
gostaria de sair de Parintins, pois é nessa cidade que se senti feliz, foi
nesse lugar que teve oportunidades que são realidades até hoje. Agemiro ama
tanto Parintins que “Daqui só vou, para traz da Catedral” relatou. Esse trecho
refere-se ao cemitério da cidade, ou seja, sairá apenas quando morrer.
Seu Agemiro visita seus
familiares em Coearú de vez em quando, vai a Fortaleza sempre que pode, mas não
sente vontade em voltar morar novamente em sua cidade natal, por conta dos
assaltos que sofria.
Atualmente morando com
Artemes um de seus filhos, Agemiro com 58 anos reside no Bairro da Francesa em
Parintins onde também têm seu pequeno comércio de produtos regionais. O mercado
municipal da Francesa (mas conhecido como Feira do Bagaço) proporciona ao
imigrante a oportunidade da venda de seus produtos. A farinha juntamente com os
materiais para serem a produzidos a farinha, como: tipiti, peneira, sacas,
cestos, abanador de cipó, remo, são oferecidos em seu box.
Nessa função exercida
por ele, não há tanto esforço físico, nem exposição ao sol. Conseguiu comprar
sua casa, tem a família estruturada financeiramente e emocionalmente, alcançou
e continua alcançando suas metas. Por fim, tem uma vida verdadeiramente pedida
a Deus.
Antigamente
na cidade do Maranhão havia um fato peculiar, a partir dos doze anos de idade, era
regra que todos os garotos da família trabalhassem. Era dever do rapaz com essa
idade cooperar com as despesas do lar. Os métodos mais frequentes de trabalho
eram na lavoura ou no garimpo, na plantação de soja, cebola, ou como atualmente
na plantação de cana. Foi baseado nessa criação que o seu Francisval Pereira Nunes
aprendeu a lidar com responsabilidade e esforço no seu trabalho.
Como
a prioridade era o trabalho, os estudos ficavam de lado. Não havia um incentivo
vindo de sua família para que estudassem, alegavam que com estudos os
resultados não são imediatos, ou seja, “não se ganhava dinheiro na sala de aula.”
E isso não foi diferente na vida de seu Francisval que hoje com 46 anos
consegue apenas escrever seu próprio nome e nada mais.
A decisão de vir morar em Parintins
surgiu pela intenção de melhoria financeira. Aceitando um convite de um amigo,
Francisval foi o único de sua família a apostar na nova ideia. “Vou passar
apenas um tempo em Parintins, caso não dê certo eu volto”.
Mesmo fixando em sua própria
residência nessa cidade o jovem senhor faz um esforço para uma visita anual aos
seus familiares do Maranhão. “Mesmo tendo muita saudade da minha terra, o custo
de vida lá é muito alto. Tudo é pago, até mesmo a água que se bebe, além de não
ter nenhuma oportunidade de crescimento”.
A
função exercida por ele na Ilha de Parintins há 16 anos é com vendas de utensílios
domésticos e variados produtos pela cidade e comunidades vizinhas como: Nhamundá,
Caburi, Juruti, Mocambo. Mesmo não tendo
acesso à sala de aula, sempre soube administrar seus bens resultando na
ampliação de seus negócios.
Ao
contrário do que foi ensinado quando era criança sobre a desvalorização dos
estudos, seu Francisval tenta agir diferente com seus filhos, tendo o apoio de
sua esposa Rosimary. Infelizmente o filho mais velho Christian, ainda não quer
cursar uma faculdade, pelo mesmo motivo defendido pelo pai em sua infância. O
filho pensa somente em trabalhar. Pois para ele a faculdade demora muito e o
trabalho não “As cobranças não tem dia, nem hora, nem domingo, nem doença” relata
o pai sobre o filho.
Persistência
Em se tratando de
trabalhar os personagens em questão “os Arigós”, faziam com que isso fosse para
muitos deles de fato prioridade. As inúmeras tarefas exercidas por eles tinham
o objetivo de manter-se como qualquer outro ser humano, o que os difere dos
demais é a persistência vinda unicamente deles próprios unidos com a certeza da
melhoria de vida.
Muitos são conhecidos
em Parintins por seus grandes comércios, os imigrantes nordestinos conhecidos
como “Arigós”, são pessoas batalhadoras que exercem seu papel, seja ele qual
for, com toda a responsabilidade e dedicação que podem oferecer.
Existem os que
conceituam esses nordestinos como fanáticos por trabalho. Mas deve-se lembrar
que já que são todos de outra parte do país vindos a este estado, então suas
histórias são parecidas como as que foram relatadas. Para chegarem a seu
destino, precisaram passar por uma série de situações muito difíceis,
resultando no esforço ofertado no trabalho para mostrar que todo o sacrifício
passado valerá à pena.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Um pedacinho do Nordeste em Parintins- (Grupo 5)
Um pedacinho do Nordeste em Parintins
Mesmo
longe de suas raízes, a cultura nordestina resiste em Parintins
Arigó,
esse foi o apelido dado aos nordestinos, principalmente aos cearenses que no período
áureo da borracha mudaram-se para Amazônia, são conhecidos como como ‘’soldados
da borracha’’. Fugidos da seca e da miséria esses sofridos homens buscaram na
Amazônia um refúgio, uma melhor condição para viver.
A cidade de PortoVelho, foi quem os recebeu. Eram
colocados em barracões cobertos de palha, localizados no bairro da denominado
Arigolândia, e ali passavam dias, e às vezes semanas, até serem encaminhados
para os seringais dos vales do Madeira Guaporé.
Esses homens rudes e simples foram apelidados, não se sabe por quem, de
arigós e, o bairro formado pelos barracões e casinhas de madeira e palha, foi
batizado pelo povo da cidade de Arigolândia, nome conservado ate os dias
atuais.
Esses homens contribuíram para povoar as cidades de
Porto Velho e Guajará-mirim e os seringais, até hoje são chamados de arigós
ninguém sabe ao certo porque, alguns pesquisadores acreditam que deve ser
devido ao nome dado a uma ave nativa do nordeste ‘’ Ave de arribação que habita
as lagoas do sertão nordestino’’, essa Ave vive mudando de lagoa, sem ponto
certo, sem jamais se fixar. Característica essa, que ate hoje caracteriza os
árigos, que se deslocam de cidade a cidade em busca de uma qualidade de vida
melhor.
É bem verdade que o Brasil pela sua diversidade
cultural poderia muito bem ser dividido, formando vários países independentes e
manter sua peculiariedade em cada um deles. Se isso fosse possível, o Nordeste
com toda certeza seria a grande nação sertaneja, com vários sotaques
diferentes.
A Região Nordestina do território brasileiro é
composta pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco,
Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Apresenta grande pluralidade cultural,
com elementos diversificados, que integram a cultura da região. É um povo que é
conhecido por ser trabalhador, e por possuir uma das melhores e mais
diversificadas culinárias do Brasil.
Em Parintins os arigós, procuram manter esses
costumes vivos, trouxeram para a cultura parintinense pratos típicos da região,
que foi muito bem aceito pela população, assim como a música, e o trabalho.
Contribuem bastante para o fator econômico da cidade, pois em sua maioria
trabalham com o comercio.
Gastronomia
Nordestina
A cultura popular dos arigós é interessante pela
diversidade cultural, seus costumes e sotaques são tão característicos a ponto
de serem reconhecidos em qualquer lugar do mundo. Os costumes continuam a fazer
parte do seu dia-a-dia mesmo com a migração para diversas partes do Brasil. A
culinária também é uma forma de cultura. A nordestina descende da cozinha
portuguesa e africana, além da influência indígena, a carne de sol e o cuscuz
são os pratos típicos mais mantidos pelos mesmos. Eles também se alimentavam de
tubérculos, raízes e farinha.
A farinha de
mandioca, por sinal, para o nordestino, ocupa o mesmo lugar que o pão e o trigo
em outras culturas. Ela é completamente obrigatória em muitos alimentos, ora
engrossando os molhos, ora complementando o sabor das comidas.
Maria Vasconcelos 57, diz que sempre utiliza a
farinha de mandioca ou a macaxeira para incrementar os pratos, principalmente a
sopa e o cozidão. “Dá mais consistência a comida, mais sabor, meus filhos
gostam muito”.
Atualmente as comidas tradicionais que foram
adaptadas aos recursos e ambientes locais, formando a variada culinária
nordestina, são pratos de produtos do mar ou do sertão, que se aliam aos pratos
tradicionais da várzea, da serra ou da mata.
Erundina
Souza 46, cita quais são os principais pratos da culinária Nordestina.
“Ensopado de caranguejo, Buchada, Mocotó, Rabada, Carne de Sol, Mungunzá, Arroz
de Leite, Arroz Doce, Tapioca, Coalhada, mocotó, Cuscuz, Arrumadinho,
Macaxeira, Baião de Dois, Canjica, Pamonha, Rapadura, a nossa cachaça, entre
outros”. Tem de tudo, para todos os gostos. Do mais sofisticado ao mais
simples.
Sabino de Souza 40, conta que mesmo morando em
Parintins há quase 21 anos, não perde os costumes da sua origem, principalmente
a culinária. “Eu e minha esposa procuramos sempre fazer aqui em casa comidas da
nossa terra, o peixe cozido que aqui falam caldeirada, nós chamamos cozidão de
peixe, colocamos muitas verduras e o caldo e grosso, também costumo comer o
cuscuz com leite. Mesmo tendo me adaptado à cultura parintinense eu não deixo
de lado a minha cultura Nordestina”.
A esposa de Sabino, Jackeline de Souza 23, relata
que por ter vindo a um ano de Sobral sente falta principalmente das comidas
típicas de sua terra, por isso, sempre que pode improvisa algumas iguarias.
Porém, diz que não estranhou a culinária amazonense e que já está se adaptando
a essa nova cultura.
A grande variedade de fruta e açúcar também inspira
receitas de doces, licores, vinhos e batidas (cachaça batida com fruta). Maria
da Solidade 72, natural de Ceará, mora há 30 anos em Parintins, recebe várias
encomendas de doces caseiros, entre essas encomendas, por coincidência os mais
pedidos são típicos da sua terra o doce de mamão e o de caju.
“Ao mês eu acredito que recebo aproximadamente 150
pedidos de doces de frutas, entre eles o de mamão e o de caju são os que mais
saem, e são do Ceará, da terra que eu nasci.” disse.
Folclore
Nordestino
Os gêneros
musicais como o sertanejo e o forró são ritmos provindos da cultura nordestina,
mais que hoje foram adotadas em muitas partes do território brasileiro e não
pode esquecer a religião, que é mantida fervorosamente pelos arigós.
Essas são algumas características que ajudam a
identificar um migrante nordestino em qualquer âmbito, essas marcas ajudam
contar um pouco mais sobre a sua história. O carnaval é o evento popular mais
famoso do Nordeste, especialmente em Salvador, Olinda e Recife. Também as
festas juninas de Caruaru e Campina Grande se destacam.
Francisca da Silva Gomes 66, frisa que existe uma
diferença entre as festas juninas do nordeste e as festas juninas do Amazonas.
“Quando ainda morava no Maranhão e era católica, eu sempre participava da festa
de São João, o povo lá é muito participativo diferente daqui, hoje sou
evangélica não frequento, mais eu ouço comentários de que o povo de
Parintinense está deixando de lado essa tradição”
Os festejos
de bumba meu boi são tradicionais em todos estados nordestinos. Esta
festividade apresenta um pequeno drama. O dono do boi, um homem branco,
presencia um homem negro roubando o seu animal para alimentar a esposa grávida
que estava com vontade de comer língua de boi. Matam o boi, mas depois é
preciso ressuscitá-lo.
É possível perceber algumas características do boi
bumbá de Parintins. José Euridice comenta sobre as duas manifestações
culturais. “Às vezes acho semelhanças entre o ritmo do nordeste e do boi bumbá.
Já me acostumei com as diferenças, afinal a cultura parintinense se espelhou na
cultura nordestina, porém o festival se tornou mais grandioso, mas boa parte da
colonização de Parintins foi feita pelos nordestinos”.
A capoeira foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos, é considerada uma modalidade de luta e também de dança. Adquiriu adeptos rapidamente nos estados nordestinos, principalmente na Bahia e Pernambuco. O instrumento utilizado durante as apresentações de capoeira é o berimbau, que é constituído de arco, cabaça cortada, caxixi (cestinha com sementes), vareta e dobrão (moeda).
O Reisado é uma manifestação cultural trazida pelos colonizadores portugueses. Apresenta um espetáculo popular das festas de Natal e Reis, cujo palco é a praça pública, a rua. No Nordeste, a partir do dia 24 de dezembro, saem os vários Reisados, cada bairro com o seu, cantando e dançando. Os participantes dos Reisados acreditam ser continuadores dos Reis Magos que vieram do Oriente para visitar o Menino Jesus, em Belém.
A capoeira foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos, é considerada uma modalidade de luta e também de dança. Adquiriu adeptos rapidamente nos estados nordestinos, principalmente na Bahia e Pernambuco. O instrumento utilizado durante as apresentações de capoeira é o berimbau, que é constituído de arco, cabaça cortada, caxixi (cestinha com sementes), vareta e dobrão (moeda).
O Reisado é uma manifestação cultural trazida pelos colonizadores portugueses. Apresenta um espetáculo popular das festas de Natal e Reis, cujo palco é a praça pública, a rua. No Nordeste, a partir do dia 24 de dezembro, saem os vários Reisados, cada bairro com o seu, cantando e dançando. Os participantes dos Reisados acreditam ser continuadores dos Reis Magos que vieram do Oriente para visitar o Menino Jesus, em Belém.
Em Parintins, é realizada a festa das Pastorinhas,
manifestação esta que os nordestinos dizem ser semelhante a do Reizado. O
comerciante Euclides Barbosa, 44, comenta que se emociona muito com a
Pastorinha, pois lhe relembra o tempo em que sua mãe o levava para assistir e
participar do Reizado. “A diferença é que lá muitas pessoas participam,
inclusive minha família toda. Diferente daqui, que vejo poucos brincantes. Mas
não perco o costume de todos os anos assistir, e de alguma forma, poder lembrar
de minha terra, sentindo como se estivesse lá.”
A fé é um ponto forte do povo nordestino. Nas
pequenas cidades, ou interiores, organizam junto à igreja quermesses que tem
por fim arrecadar dinheiro para ser direcionado a reformas na capela local.
Esta festividade tem em seu fim um leilão de coisas simples como, frangos
assados, material agrícola, entre outros objetos que ajudam a arrecadar fundos
lucrativos. Procissões e missas também são realizadas.
Maria Alves Vasconcelos disse “Pessoas de outras
cidades migram para onde está acontecendo às quermesses. Todo mundo dança ao
som das bandas locais e se diverte com a compra dos produtos do leilão”.
Outras danças como, frevo e capoeira estão tecidos
no contexto cultural nordestinos, porém os arigós que vivem na Ilha
Tupinabarana não mantem vivo esta parte de sua história em Parintins. O frevo
surgiu através da capoeira, pois o capoeirista sai dançando o frevo à frente
dos cordões, das bandas de música, executando passos semelhantes ao da
capoeira. É uma dança de alucinação coletiva, do carnaval pernambucano, é praticado
em salões e nas ruas.
Pode-se encontra também a Marujada, que é um
bailado popular muito antigo. Consiste na dramatização das lutas portuguesas,
da tragédia que foi a conquista marítima. E Quilombo que é um folguedo
tradicional alagoano, tema puramente brasileiro, revivendo a época do Brasil
Colônia. Dramatiza a fuga dos escravos, que foram buscar um local seguro para
se esconder, na serra da Barriga, formando o Quilombo dos Palmares.
Literatura de Cordel é uma das manifestações
culturais nordestinas e consiste na elaboração de pequenos livros contendo
histórias escritas em prosa ou verso, os assuntos são os mais variados:
desafios, histórias ligadas à religião, ritos ou cerimônias.
Outro elemento cultural de extrema importância no Nordeste são os artesanatos. A variedade de produtos artesanais na região é imensa, entre eles podemos destacar as redes tecidas, rendas, crivo, produtos de couro, cerâmica, madeira, entre outros.
Religião
Os nordestinos são fervorosamente religiosos, tem
seus santos e gostam de participar de todos os eventos relacionados a igreja e
respectivamente a religião.
O maracatu é originário de Recife (PE), surgiu
durante as procissões em louvor a nossa Senhora do Rosário dos Negros, que
batiam o xangô (candomblé) o ano inteiro. O maracatu é um cortejo simples,
inicialmente tinha um cunho altamente religioso, hoje é uma mistura de música
primitiva e teatro.
O termo de Zabumba é uma forma dos
nordestinos unificarem religião com festa através de um conjunto musical
típico do Nordeste, que alegra sempre as festejos. O Terno de Zabumba exerce
função profana e religiosa. Tocam as “salvas”, nas rezas e novenas. É conhecido
também pelos nomes de Terno de musicas, Esquenta mulher, Cabaçal e Banda de
Couro.
Lavagem do Bonfim é uma das maiores festas religiosas populares da Bahia. É realizada numa quinta feira de janeiro. Milhares de romeiros chegam ao Santuário do Senhor do Bonfim, na Bahia. Senhor do Bonfim é o Oxalá africano, existem também promessas católicas de “lavagens de igrejas”.
Os fiéis lavam as escadarias da igreja com água e
flores. Eulália Vasconcelos 80, fala da sua religião fervorosa.
“Somos um povo muito alegre e muito religioso,
criados em uma cultura onde nos incentivaram a ir a procissões, frequentar
igreja, enfim colocar a crença religiosa em primeiro plano. Quando me mudei pra
cá me identifiquei com a cultura local e logo me adaptei”. Ela conta que a
festa da padroeira de Parintins se tornou um momento esperado, pois ela adora
ver a fé dos parintinenses sendo reproduzida nas via sacras e procissões deste
período.
É válido ressaltar a importância dos nordestinos em
Parintins, visto que são grandes contribuintes para a economia local. Trazendo
seus costumes e tradições, incluindo comidas típicas, música que hoje em dia
fazem parte da cultura parintinense.Mesmo vivendo em outros lugares do mundo,
os arigós procuram de alguma forma manter alguns costumes, seja na culinária ou
até mesmo ouvindo um bom forró de baião.
Não importa de que forma buscam reviver, o
que importa é que nunca deixam de lembrar das suas origens.
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